ELA
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Quem
é ELA? Qual o seu nome? O pronome traduz o simulacro de uma
identidade impessoal. O distanciamento sugerido pela terceira pessoa
não passa de uma farsa que inventa a multiplicação do EU, o
comum, em que ELA se torna uma anônima qualquer. Corpo em fluxo
contínuo de transição. Personificação da experiência fugaz, dos
encontros efêmeros, do anonimato produzido pelas cidades globais.
Devir mulher de trajes negros e meias vermelhas, carrega em uma
antiga mala de couro histórias não contadas por lábios de silêncio
e invisíveis olhos debaixo do véu. Sua passagem deixa rastros que
constituem, afinal, o que ELA não é, um jogo de adivinhação.
Histórico
ELA
surge em 2011, como expressão literária de conceitos e práticas
contemporâneas, como nomadismo e anonimato:
Sobre
o deslocamento do sujeito, verdade e mentira, entidades
estético-conceituais – experiência nº 1:
ELA era uma mulher jovem e bem vivida, gostava de viajar pelas redondezas de onde vivera até os seus 29 anos. Crescera entre cidades pequenas e médias de um estado pouco atento ao seu desenvolvimento, e isto lhe dera algo de ingênuo, simples, lhe preenchera também de certas lacunas, que não cansava de saciar em suas aventuras. Possuía mochilas e malas de vários tamanhos, que, com o tempo, se tornaram o seu guarda-roupas. Quando ainda mais jovem, em suas primeiras incursões pela estrada, gostava de observar a paisagem do sertão da Bahia, e desejava pintar os seus troncos secos. Mas nunca possuíra aquarelas ou tintas, a paisagem desfazia-se em seus olhos que mais a compunham que contemplavam. Guardaria para sempre aquelas imagens fotográficas em pleno movimento na sua memória. Deixara a casa dos seus pais logo assim da sua maioridade, teria até mesmo antecipado a sua emancipação, forjando documentos que lhe atribuíam pelo menos dois anos em sua verdadeira idade. Nos últimos tempos, sentia como se os dois tivessem se multiplicado em quatro ou em cinco. Quando lhe perguntavam de onde vinha, dizia a primeira cidade que surgia na cabeça, decifrava os mapas de geografia nas escolas públicas de onde estudara, quando lhe intrigava que acordos diplomáticos pudessem alterar territórios e nomes. Dizia que deixara sua casa para ajudar a família, o que parecia encobrir com certa dignidade o seu espírito forasteiro. Na primeira década da sua maior fuga, submetera-se a todo tipo de convivência e estrutura. Estivera com os traficantes e as prostitutas. Tivera amantes e uniões efêmeras, até gozar uma solidão aparente. Seduzira homens casados e mulheres inseguras, matara o seu primeiro filho. Em cada cidade em que residira, desenvolvera competências profissionais específicas, mas tivera uma preferência por dançar pole dance em boates noturnas das grandes cidades, onde passara por semanas ou meses. Conhecia razoavelmente pouco o Brasil do qual era natural, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Brasília, Rio Grande do Sul, Pará, Sergipe, Rio de Janeiro, e isto consituíra sua identidade fragmentada. Desejava viajar pela América Central e Latina, África e Ásia. O conhecimento técnico da sua educação formal não lhe ensinara que sobre mundo pudesse saber pela percepção sensorial que dele sempre tivera, desde menina as formas dissolvidas em cores no espaço, verde, lilás, arenoso, escutava palavras sendo repetidas em cadências sonoras e ritmadas. Produzira imagens e dramas secretos. Sua esquizofrenia não lhe impedira, contudo, por uma espécie de reversão sintomática, de caminhar pelas cidades onde estivera, cartografando dimensões variáveis, debaixo de sol e de chuva, atravessara madrugadas sob espreitas lunares, relacionara-se com os desconhecidos, principalmente, já não reconhecia os conhecidos, o que tomavam por antipatia ou falta de educação, quando tratava-se apenas, de um fingimento mais simples, uma distração supostamente menos representada.
ELA era uma mulher jovem e bem vivida, gostava de viajar pelas redondezas de onde vivera até os seus 29 anos. Crescera entre cidades pequenas e médias de um estado pouco atento ao seu desenvolvimento, e isto lhe dera algo de ingênuo, simples, lhe preenchera também de certas lacunas, que não cansava de saciar em suas aventuras. Possuía mochilas e malas de vários tamanhos, que, com o tempo, se tornaram o seu guarda-roupas. Quando ainda mais jovem, em suas primeiras incursões pela estrada, gostava de observar a paisagem do sertão da Bahia, e desejava pintar os seus troncos secos. Mas nunca possuíra aquarelas ou tintas, a paisagem desfazia-se em seus olhos que mais a compunham que contemplavam. Guardaria para sempre aquelas imagens fotográficas em pleno movimento na sua memória. Deixara a casa dos seus pais logo assim da sua maioridade, teria até mesmo antecipado a sua emancipação, forjando documentos que lhe atribuíam pelo menos dois anos em sua verdadeira idade. Nos últimos tempos, sentia como se os dois tivessem se multiplicado em quatro ou em cinco. Quando lhe perguntavam de onde vinha, dizia a primeira cidade que surgia na cabeça, decifrava os mapas de geografia nas escolas públicas de onde estudara, quando lhe intrigava que acordos diplomáticos pudessem alterar territórios e nomes. Dizia que deixara sua casa para ajudar a família, o que parecia encobrir com certa dignidade o seu espírito forasteiro. Na primeira década da sua maior fuga, submetera-se a todo tipo de convivência e estrutura. Estivera com os traficantes e as prostitutas. Tivera amantes e uniões efêmeras, até gozar uma solidão aparente. Seduzira homens casados e mulheres inseguras, matara o seu primeiro filho. Em cada cidade em que residira, desenvolvera competências profissionais específicas, mas tivera uma preferência por dançar pole dance em boates noturnas das grandes cidades, onde passara por semanas ou meses. Conhecia razoavelmente pouco o Brasil do qual era natural, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Brasília, Rio Grande do Sul, Pará, Sergipe, Rio de Janeiro, e isto consituíra sua identidade fragmentada. Desejava viajar pela América Central e Latina, África e Ásia. O conhecimento técnico da sua educação formal não lhe ensinara que sobre mundo pudesse saber pela percepção sensorial que dele sempre tivera, desde menina as formas dissolvidas em cores no espaço, verde, lilás, arenoso, escutava palavras sendo repetidas em cadências sonoras e ritmadas. Produzira imagens e dramas secretos. Sua esquizofrenia não lhe impedira, contudo, por uma espécie de reversão sintomática, de caminhar pelas cidades onde estivera, cartografando dimensões variáveis, debaixo de sol e de chuva, atravessara madrugadas sob espreitas lunares, relacionara-se com os desconhecidos, principalmente, já não reconhecia os conhecidos, o que tomavam por antipatia ou falta de educação, quando tratava-se apenas, de um fingimento mais simples, uma distração supostamente menos representada.
Após
esta versão literária, ELA surge como cena em uma oficina de
composição cênica, com o grupo VAGAPARA, no Teatro Gamboa Nova, em
Salvador-BA, em janeiro de 2012, que tratava, também, da questão da
identidade. Na noite da mostra de resultado desta oficina, ELA
deixou o palco e atuou no lado de fora do Teatro. ELA foi pra rua.
Desde então, ELA vem sendo experimentada, nas ruas de diversas
cidades, seja como performance solo, seja diluída em outros grupos,
como o AFETO: Grupo de Dança-Teatro da UFBA, e o RADAR-1: grupo de
Improvisação em Dança, na Bahia. Estas atuações foram feitas de
forma independente, fora dos circuitos e eventos culturais, nas
cidades de Riacho de Santana, Lençóis, Vitória da Conquista e
Salvador-BA, e em Brasília-DF. Em
2013, ELA esteve no festival Observatório da Interrogação, em
Resende-RJ.
Links
para fotos e vídeos:
ELA
em Brasília-DF (2012):
De
quando ELAs se multiplicam,
com o RADAR-1, na Feira de São Joaquim e na Feira das 7 Portas, em
Salvador-BA, 2012:
ELA
na orla da Barra, em Salvador-BA, 2013.
Exibição
do vídeo ELA, na III Mostra de Performance, na galeria Cañizares,
em Salvador-BA, 2013:









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