A DITADURA DA BEZELA E SEU ÔNUS SOCIAL
“Você é bonita! A culpa é sua!” Escutei essas palavras de um colega, ao lhe relatar uma situação de assédio no ambiente profissional, há poucos dias. Este fato me remeteu a uma outra experiência semelhante, que vivi há menos de um ano. Ao voltar a ter contato com o marido de uma tia, contra a minha vontade, em ambiente familiar, acabei trazendo à tona os abusos sexuais perpetrados por ele contra mim, ainda na adolescência. Na ocasião, passei por tudo o que acontece quando uma mulher é levada a fazer esse tipo de denúncia: fui exposta e julgada pelas próprias tias como mentirosa e difamadora, o que de uma certa forma já era esperado. O que mais me chocou, no entanto, ainda estava por vir. Ao perguntar para a minha irmã se ela teria passado pela mesma situação, uma vez que chegou a morar na casa do abusador, ela respondeu que com ela não havia acontecido nada, acrescentando como argumento “eu nunca fui bonita... nunca fui interessante...”. Escutá-la foi como receber, mais uma vez, a se...