Pensei em nomear este texto com o “amor livre”, tão aclamado na contemporaneidade. No entanto, essa composição me parece inviável, pois não somos assim tão amorosos, tampouco libertários. Aliás, eu que sempre busquei referências para uma liberdade mais prática do que discursiva, ao menos na filosofia ocidental, só a encontrei enquanto atitudes eminentemente individuais. Ainda carecemos de uma perspectiva social libertadora, cujas nuances têm sido desveladas pelas epistemologias decoloniais. Nos últimos anos, tenho me deparado com reiteradas propostas de “relacionamentos abertos”, atualmente denominados “não monogâmicos”, de modo que precisei sistematizar minha resposta. Eu já fui uma adepta do “amor livre”, aos vinte anos, quando esse debate não estava em voga. E mesmo sendo previamente acordado, tive como retorno um discurso de ódio propagado contra mim aos quatro cantos do país, pelo mesmo homem que me fez essa proposta, diga-se, um ativista de e...