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DIALÉTICA

a vida é assim hoje diz que não amanhã diz que sim hoje é sua amiga amanhã te faz figa hoje tem quem ama amanhã Pachamama hoje é fiel amanhã lua de fel sigo minha sina se não for lá embaixo será logo ali acima Morgana Poiesis, 2026

AMOR E LIBERDADE: uma breve reflexão

Pensei em nomear este texto com o “amor livre”, tão aclamado na contemporaneidade. No entanto, essa composição me parece inviável, pois não somos assim tão amorosos, tampouco libertários. Aliás, eu que sempre busquei referências para uma liberdade mais prática do que discursiva, ao menos na filosofia ocidental, só a encontrei enquanto atitudes eminentemente individuais. Ainda carecemos de uma perspectiva social libertadora, cujas nuances têm sido desveladas pelas epistemologias decoloniais. Nos últimos anos, tenho me deparado com reiteradas propostas de “relacionamentos abertos”, atualmente denominados “não monogâmicos”, de modo que precisei sistematizar minha resposta. Eu já fui uma adepta do “amor livre”, aos vinte anos, quando esse debate não estava em voga. E mesmo sendo previamente acordado, tive como retorno um discurso de ódio propagado contra mim aos quatro cantos do país, pelo mesmo homem que me fez essa proposta, diga-se, um ativista de e...

CARTA AO SENHOR PRESIDENTE E COMUNIDADE DO INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO, DA UNIVERSIDADE DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

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  Caro professor Agostinho (Salvador) Esta carta faz parte do relatório de atividades da missão internacional de estudos que realizei no Instituto Superior de Educação e Comunicação, da Universidade de São Tomé e Príncipe, entre os dias 20 a 31 de outubro de 2025. O espaço para uma carta compunha o modelo de relatório a ser encaminhado para a Assessoria de Relações Internacionais, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, que financiou a referida missão, através do edital 215/2025. Nesta carta, que me cabe escrever em primeira pessoa, deixarei registradas algumas impressões acerca de experiências vivenciadas durante minha imersão em São Tomé e Príncipe, mais precisamente no ISEC/USTP e suas extensões. Devo dizer que venho experimentando cartas como gênero literário e método de pesquisa acadêmica há alguns anos, e o desafio que elas sempre me trazem é a ponderação, um tanto quanto intuitiva mas também racional, dos limites entre a subjetividade e a obje...

UM RELATO DE SORORIDADE NO DIA DAS POETAS

Gostaria de relatar mais um caso de sororidade do que de assédio. Participo de cinco grupos de literatura pelo whatsapp, apenas cinco, os quais considerava bem selecionados. Sendo quatro exclusivos de escritoras, e um heterogêneo, denominado Grupo de Escritores Conquistenses, do sertão baiano, de onde venho. Fui convidada por uma das escritoras desses grupos exclusivos, a colaborar com uma coletânea que está sendo organizada pelo Dia dos Finados. Assim, compartilhei com ela e demais grupos, no exercício democrático da literatura a que nos propomos, um texto denominado Carta para a Madame Silenciosa, que escrevi há 10 anos atrás, na qual elaborava meus lutos pelo encantamento de pessoas que me constituíram. Compartilhei também um áudio em que leio a carta sussurrada, de forma quase silenciosa, e não eloquentemente, seguindo os tons da performance artística Poemas e Sussurros, que desempenhava na mesma época. Então, um dos escritores desse único grupo heterogêneo que ainda esperançava pa...

SOBREVOAR

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Não escrevo poemas de amor Nem mesmo cartas aplacam minha dor caí de cima  de um sonho  muito alto por ver as flores que brotam no asfalto mas o tempo serenou meu coração aprendi  a dizer sim a dizer não que o salto não precisa  ser fatal sobrevoar pra muito além  do bem e do mal                              Morgana Poiesis, 2025.

REFLEXO

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não te assustes se incorporo  a lua crescente se de poesia viro mulher tão de repente com a sede de quem atravessou desertos bebendo em fontes de saberes mais incertos trilhando rumos  entre sonhos descobertos também o sol de tão longínqua vi mais perto Morgana Poiesis, 2025

CARTA PARA UMA OUTRA MULHER

É com grande satisfação que atendo ao seu chamado, a despeito daquela carta que você me escreveu, das intermitências de um Vale. Compreendo sua postura e escuto as outras vozes que te habitam. Não tenha dúvida de que meu silêncio foi um tipo de resposta às suas palavras e, por ironia, uma troca de lugares. Não almejaria ser o Sol do seu sistema criativo, nem esperei que se voltasse para mim com os olhares de uma deusa apaixonada pela própria criatura. Sabemos que precisamos uma da outra para compartilharmos as nossas questões, desde as mais específicas até as mais diversas. Os tormentos que te trazem me levam a romper com os limites do silêncio. O que tenho para te dizer é aquilo que, há muito, você já percebeu em suas experiências, cuja consciência se ampliara no encontro com as reflexões de outras escritoras que me antecederam. Pois bem. Saiba que você não precisa corresponder às expectativas daqueles que perverteram sua liberdade. Que não deve permitir, em nome dela, ne...