FITA AMARELA



O bloco Fita Amarela surgiu em 2011, como uma iniciativa de amigas(es)(os) e artistas que desejavam celebrar o carnaval, então inexistente em Vitória da Conquista - BA. Idealizado por Morgana Poiesis, com forte apoio de Juliana Leite, que lhe batizou o nome inspirado em música homônima de Noel Rosa, o bloco reuniu foliãs e foliões de forma espontânea, através de uma nota no Facebook, convocando as pessoas que desejassem participar a irem fantasiadas para uma concentração na Praça do Gil, naquele domingo de carnaval. Com um pequeno carro de som, instrumentos musicais, confetes, serpentinas e fantasias variadas, o bloco partiu em cortejo carnavalesco até a Praça Barão do Rio Branco.

O bloco Fita Amarela emergiu como uma ação autônoma, uma forma alegre e criativa de resistir na cidade. Articulado através das redes sociais e efetivado pragmaticamente nas ruas, o bloco se configurou como um movimento coletivo de ocupação lúdica do espaço urbano, sendo o estopim para o surgimento de outros blocos similares, e para a retomada de um movimento carnavalesco alternativo na cidade, nos anos seguintes.

Em 2014, o bloco Fita Amarela volta às ruas, produzido por participantes do Laboratório de Corpo-Criação-Performance-Interferência, atividade realizada através da Coordenação de Cultura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, tendo colaboração de artistas e entusiastas. Ainda nesse ano, o bloco ganha um estandarte, customizado pelo artista plástico Thadeu Cajado, mantendo as cores rosa e amarelo em sua logomarca, então idealizada pelo fotógrafo e produtor cultural Gilmar Gama. 

Do ponto de vista estético, naquele ano de 2014, o bloco foi influenciado pelas experimentações artísticas do LCCPI nas ruas da cidade, donde a introdução de um enorme tecido amarelo que funcionava como uma espécie de parangolé, para que foliãs e foliões dançassem, improvisando e interagindo com sua estrutura maleável. O conceito de parangolé foi proposto pelo artista brasileiro Hélio Oiticica, na década de 70, como uma forma de aproximação entre a performance artística contemporânea e a cultura popular. Ainda em 2014, além do tradicional cortejo pelas ruas, o bloco se apresenta em um palco na Praça da Normal, com banda experimental composta pelos músicos Zeca Metal, Edi Rasta, Lucas Artigas e demais participantes. Seguindo em seu modo de produção coletivo e independente, o bloco Fita Amarela volta às ruas nos anos de 2019 e 2023, tendo como uma das articuladoras a produtora cultural Dayse Maria, colaboradora do bloco desde os anos anteriores. Nesses anos, o bloco desfila na Praça da Normal, reunindo foliãs e foliões diversos, no já consolidado Carnaval Conquista Cultural. Em 2025, o bloco ganha força com as produtoras Mércia Andrade e Larissa Caldeira, e tem adesão de participantes do Movimenta Cultura Conquista, que vêm reivindicando a reativação de espaços culturais municipais, entre outras pautas relacionadas à política cultural na cidade. O evento celebrou as tradições carnavalescas representadas nos blocos à fantasia e comemorou os 40 anos de Axé Music. Os brincantes desfrutaram da Marujada Mirim do Beco de Vó Dôla, da Banda de Marchinha Allah-La-Ô e do grupo musical Lucinho Ferraz & Banda.  

Em 2026, entusiastas do bloco Fita Amarela, com apoio de participantes do Movimenta Cultura Conquista, estão organizado uma celebração simbólica de pós-carnaval, que acontecerá no dia 7 de março, sábado, às 14h, na praça Guadalajara (antiga Normal). A ideia é manter as características fundamentais do bloco, com a estética do samba e do carnaval de rua, a produção colaborativa e independente, o espírito amistoso e democrático.

Com tema voltado para as questões de gênero emergentes na sociedade contemporânea, a saída do Fita Amarela, na véspera do Dia Internacional da Mulher, será um grito carnavalesco pelas vidas de todas elas.

Assim, neste ano, o bloco apresenta como novidade seu primeiro enredo original, composto por João Omar, com letra assinada pelo maestro em parceria com Gilmar Gama, que segue colaborando com a arte visual  do Fita Amarela.                                                                        

                              Mulher é vida!

É vida pra brilhar!

Tá na fita Amarela, tem o nome dela, não vão nos  calar!

 

Cantando com respeito

e amor no peito, bem no coração,

Chega de violência

Nossa resistência

Vem pra dizer não

 

Não dá mais não tem jeito

Não tem quem segura

O canto de união

 

Vamos pra rua

Com a verdade nua

Cantando o refrão

Vamos pro meio da rua

Com a verdade nua

Cantando o refrão

 

Fita Amarela

Voa no vento da  libertação

Fita Amarela

É o nosso bloco

Vem dançar com emoção

 

Fita Amarela

É a cor do laço em  que estamos nós

Juntos, no meio da praça

Fazendo pirraça

A quem zomba de nós

Vem que temos resistência

E as cores de um campo de girassóis

 

As atrações musicais para a celebração de pós-carnaval do Fita Amarela ficarão por conta dos grupos Mulher no Samba, Teiuguaçu e Baile Solto.

O bloco Fita Amarela convoca todas, todes e todos para se unirem a esse coro de vozes, em uma luta cuja bandeira seja, sobretudo, a alegria!

 Viva o Carnaval!


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https://www.instagram.com/blocofitaamarelavca

https://www.youtube.com/watch?v=BOrjt8GjV8k

https://www.youtube.com/watch?v=BOrjt8GjV8k

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