Fiz um pacto comigo mesma de que não escreveria cartas aos amantes. Não é por falta de amor ou de palavras, mas por saber que boa parte desses amores e dessas palavras não passariam das mais puras invenções de minha imaginação criadora. E pelo hábito que tenho de atribuir às pessoas uma importância que elas mesmas não se dão. Embora me dirija a você, não é para você que eu escrevo. Tampouco me interessa uma comunicação unilateral. Escrevo para mim e pelo meu comprometimento com a palavra. Ela que me faltou em nosso (des)encontro. Há uma década, fui atraída pela sua genialidade. Entre poesias, manifestos, filosonias, silêncios e ruídos, sou uma pescadora de mentalidades. Por que você tocou o meu ostracismo? Por identificação, talvez? Sim, eu te quis, antes e durante e depois de tudo, como El Gavilan, de Violeta Parra. Eu te quis quando não queria mais nada. E foi no auge desse nada que eu continuei desejando o impossível. Então eu fui até você, com o mes...