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des-ilusão

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Não sei, exatamente, quando foi que me desiludi com a humanidade. Só sei que foi com ela, essa senhora de quem sou filha, que me desiludi, profundamente. Houve um tempo, em que eu me apaixonava pelas pessoas, elas me pareciam especiais. Certa vez, uma amiga me disse que eu via uma especialidade em cada pessoa. Eu via mesmo. Talvez eu focasse no que elas pareciam ter de especiais, ou até tivessem, talvez eu projetasse nelas algo de especial que havia em mim. De tanto me encantar com as pessoas, me desencantei com elas. Romantizar as relações humanas é a maior das ilusões. Vi deslealdade camuflada de companheirismo, vi disputa camuflada de liberdade, vi aprisionamento camuflado de cuidado, vi interesse camuflado de admiração, vi falta camuflada de afeto, vi abuso camuflado de confiança. Vi dissimulação onde julgava haver franqueza, vi a crueldade refletida no meu rosto. Vi a morte, algumas vezes, ela me revelou o segredo da vida. Hoje, vejo o mundo através da lente do dese...

Estudos Indóceis

Vídeos-performances experimentais para o grupo online de estudos praticados e escutas recíprocas no And-Lab: centro de investigação em arte-pensamento e políticas da convivência.  Brasil-Portugal, 2020.   Posições ante o irreparável:  (an)coragem   co(m)passionamento   consistência   comparência   franqueza   suficiência   justeza   firmeza des-ilusão   des-cisão    

CARTA PARA UMA ESQUIZOFEMINISTA

  Querida Ivana 1 , Começaríamos nos redimindo por identificá-la como uma esquizofeminista, posto que todas as determinações são restritivas. Podemos partir dessa identidade para desconstruí-la, enquanto a atravessamos como um lugar de fala. Também poderíamos nos identificar dessa maneira, recordando o nosso encontro no curso de Esquizoanálise ministrado pelo memorável mestre Valter Rodrigues 2 , a quem somos gratas. É a partir dessa conexão que nos comunicamos, ainda que tardiamente, com você, comprometidas com o nosso encontro atual, na medida em que incorporamos os debates interseccionais de gênero aos estudos pretéritos da filosofia pós-estruturalista. Justificada a abertura desta carta, eis o que nos motiva a escrevê-la: nossa composição interrompida pela atual pandemia mundial do COVID-19, para o debate da segunda exibição do documentário O silêncio dos Homens 3 , em Vitória da Conquista-BA, para onde retornamos, após uma imersão de quatro anos no estado ...

PIRILAMPAS

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  Obra literária em formato de ivros-objetos artesanais, compostos por poemas e prosas cuja criação foi inspirada pelas imersões da autora n os silêncios d o Brasil profundo.    

POESIA DE SEGUNDA

se a tristeza não tocasse samba para chorar de alegria e cantar o bonde perdido os romances ilícitos os passos imóveis as indecisões o lamento da segunda que vêm sempre depois do domingo pontual mensageira dos ofícios do dia a dia memorandos e circulares se não fosse a malandragem de ontem e da semana que vem se não fosse o presente os amigos de sempre as tardes de licor e cinema as mulheres pichadas na parede as noites na praça o acarajé se não fossem as histórias contadas as de todo mundo as de cada um se não fosse o I Ching a cômoda de madeira a visita da mãe seríamos apenas os bondes perdidos os romances ilícitos os passos imóveis as indecisões e não haveria Poesia de Segunda Morgana Poiesis, Bahia, 2013

MARIE CURIE

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MARIE CURIE durante a nossa educação nas escolas, faculdades escutamos grandes nomes das ciências e das artes todos eles eram homens patenteando as suas partes eis que vieram à tona outras notificações de mulheres nas ciências filosofias e ficções também nas tecnologias entre outras invenções Marie Curie foi uma delas cientista polonesa que ganhou Nobel duas vezes prêmio de maior grandeza na Física e na Química reconhecida a sua proeza de descobrir polônio e rádio ao se radicar francesa assim entrou pra história da ciência, uma irmandade pelo mérito, Marie Curie a mãe da radioatividade das técnicas e linguagens vamos nos apropriar afirmando identidades demarcando outro lugar nas ciências e nas artes vamos descolonizar!   Morgana Poiesis, 2020

CANTE TROVÃO

Calado, Os trovões cantam anunciando a notas de uma primavera que renasce a cada ciclo. No sertão, chover é razão de emoção, um acalanto no coração. Dançar olhando no escuro, onde somos vistas mais perto do céu riscado por estrelas cadentes, sob o pálido silêncio da lua. As cigarras tocam o suspense das nuvens condensadas, numa suspensão pelo sim e pelo não. Que nos en-cantem todos os trovões celebrando as flores do bem que do mal está além. Namastê, saravá e amém! Morgana Po iesis Pirenópolis-GO, primavera de 2017. Bilhete escrito para o amigo   Ronaldo Ros , em função da sua faixa Cante Trovão, entre outras trilhas experimentais que fez para as minhas performances. link para faixa:  https://soundcloud.com/ronaldoros/cante-trovao-ronaldo-ros?fbclid=IwAR3w1OVuGbhw7rPU7SoflHmkpGxwstjMUbrLTEh5LzhmWoc5qTSXRLBGgzE