CRÔNICA DE UM CRÍTICO SEVERO
“Você não é nenhuma Cora Coralina”, disse um leitor do meu novo livro publicado, Epístolas Profanas. Seguiu dizendo que meu texto era muito pessoal, mas que, apesar disso, a leitura era gostosa. Disse, ainda, que escrever sobre os próprios processos artísticos era narcisismo, que outra pessoa deveria fazer isso, quem sabe um crítico mais generoso. “Você não acha que escrevendo a partir da própria experiência, podemos atravessar questões universais?” Perguntei, esperançosamente. “Muitos tentam, mas meu conceito de universal é elevado”. “E não seria a própria natureza humana universal?” Insisti mais uma vez naquele diálogo, mas não lembro da sua resposta. Fiquei olhando para o sujeito que falava, além do discurso: um homem branco, cientista da natureza, oriundo do Sudeste. Lembrei das vezes em que ele parecia estar querendo me dar aulas sobre teatro e literatura, linguagens nas quais não apenas me profissionalizei, como sou pós-graduada. Lembrei de quando era uma atriz apaixonada pela fi...