CARTA PARA O BRASIL
Querido Brasil
estamos às vésperas das eleições presidenciais, e seus filhos ainda se encontram divididos, até mesmo alheios a uma realidade próxima que dirá respeito a todos nós. Conhecemos sua história, atravessada por períodos de desenvolvimento e recessão. Sabemos de tudo o que aconteceu quando você era uma autêntica Pindorama, violentada por forças coloniais que ainda não superamos, como sua herança escravocrata. Sabemos das lutas que foram necessárias para conquistar nossa emancipação política e nos tornarmos uma república democrática. Sabemos, também, das vezes em que ela foi atacada enquanto tal, como na Ditadura Militar e nas últimas tentativas de golpe de estado empreendidas pela extrema direita, por vezes camuflada de democracia. Sabe, Brasil, nas últimas décadas, quando tivemos a oportunidade de sermos governados por uma esquerda progressista, pudemos observar suas transformações sociais, como a democratização das Universidades e a descentralização das Culturas. Mas a primeira transformação de todas, a base para seguirmos firmes em nossa emancipação como povo, foi termos saído do Mapa da Fome (ONU), nos governos do presidente Lula. Como poderíamos ser um país desenvolvido, enquanto tivéssemos irmãs e irmãos passando fome pelas ruas? Como poderíamos ignorar o próximo, em nome de Deus? Olhamos para os lados, amamos nossa diversidade e gostaríamos que elas fossem respeitadas: pessoas de todos os gêneros, idades, etnias, orientações sexuais, condições físicas e neurológicas. Amamos, sobretudo, nossas liberdades individuais e coletivas, asseguradas pela tão batalhada Constituição Federal, de 1988. Querido país, não podemos permitir que novas ondas imperialistas dominem nossas terras e águas, preservadas graças aos povos tradicionais que ainda resistem em suas entranhas. Te amamos tanto, que estamos todos juntos para te defender: esquerda e direita democráticas, anarquistas, apartidários de carteirinha. Somos estudantes, professores, trabalhadores, artistas, mulheres, mães, avós, pais, filhos, brasileiros ameaçados em seu próprio território, e estamos dispostos a lutar por você, por nós, pela nossa dignidade plurinacional.
Sindicato das Autoras Anônimas
Ser Tão, Bahia, Brasil, 2026

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