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INFINITAS AURORAS

  na eternidade contida em cada instante tardes que embalam tardes limiares efêmeros de felicidade só pra quem entendeu a alegria conta-gotas de poesia força que nasce trêmula enrijecidas entranhas esquece-te as rimas faze do próprio calor o teu berço do próprio colo a tua entrega desnuda-te menos e voa por onde tantas vezes plainaste infinitas auroras liberdades outroras mas no gene injetaram-te memória antigas páginas de história que te acompanham caminhas em silêncio brando e não grites não ensurdeças teus próximos a quem olhas sê ciente em tua loucura não te embriagues tanto não delires não transbordes do cálice veneno sagrado confiaram-te a fórmula mas não contaram-te o segredo tapa teus ouvidos e não ouças tais vozes ignore-as faze do que vês solitárias estrelas constelações imaginárias mundos afora nos quais transitas mas não moras sequer tens pátria anjo profano pecas habitas o mun...

PALAVRA SOPRADA

  não tenho pudores dos versos proibidos das palavras roubadas do que os olhos não veem também não lastimo as veias estouradas as pálpebras trêmulas a falta de ar era noite, então à sombra de uma melodia fina e minúsculos prazeres me espreitavam não pouparei nenhuma pétala ferida todo o suor derramado nem mesmo o grito colérico o estado febril o pavor de quem ama por certo gozarei ao sabor do pecado se quer queimarei os papéis rabiscados não me supliqueis o último juramento! contentai-vos com certas expressões balbuciadas nascidas em um tempo muito antigo do qual já nem eu tenho memória e perdoai nelas qualquer dose de pura intensidade força, desejo, crueldade sopro, palavra soprada

CÂNTICO DA ORQUÍDEA DE LUZ

  respira escuta o que a vida te guarda o cântico da madrugada as noites outrora medrosas despertam ao sol matutino que espia a janela do sono respira e cala o que te impressiona amansa o que te extrapola a chama já não mais te queima as manhãs arrebatadas se foram a fúria de paixões antigas adormece à voz do silêncio à sábia lição do passado o sopro não mais te suplica curvado à serena memória do estar e do ser passageiro a dor dissolvida em descanso o corpo espantado amolece a lascívia clamava ternura de olhos e beijo na testa acolhe no peito a maldade as sombras pintadas de branco sublima o veneno do mundo em aromas de cor e fumaça sê plena Orquídea de Luz!

POEMA PARA HILDA HILST

fornica tu fornique ela fornicamos nós fornicai vós forniquem elas   Morgana Poiesis    

POEMA À BALADA DE GISBERTA

quando tomamos o seu corpo estirado na alameda suas mãos atadas sua boca amordaçada seus seios de espuma seu sexo rubro seus olhos aflitos para sempre cerrados sua coroa de rosário partido seu sangue proibido os guardiões da lei te revistavam por entre as pernas a mídia te especulava todos te queriam como um sacrifício enquanto o véu branco anunciava nosso espírito em luto declamava o seu último suspiro de Gisberta

DIA SEGUINTE

  DIA SEGUINTE são 72 horas de tensões e calafrios o amargo sabor de formas glorificadas e úteros contorcidos pelos avanços da ciência e seus métodos de controle sobre o corpo da mulher pelas mais opressoras emancipações seus parceiros descansam em paz nada lhes perturba o sono ou contêm os seus caprichos além das decisões judiciais Spinoza não desenhara a crueldade da natureza nenhuma prudência remediará nossa cultura de afetos desmedidos e razões inalcançáveis com duelos intermináveis de gêneros e civilizações   Morgana Poiesis

POESIA PARA OUTRO DIA

o jogo é mais complexo que as vitórias que temos nossas pequenas grandezas não vês que fazes do passado muletas? abaixo as ditaduras do espaço e do tempo se a poesia não tem dia porque lamentar as segundas? que nenhum gênio justifique o exílio dos nossos encontros que a potência da paixão seja menos pontual do que diversa e que a máscara da humanidade seja mais generosa que perversa Morgana Poiesis