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DE UMA POLÍTICA DOS AFETOS A UM ESTADO LIVRE

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  A questão ético-política em Espinosa atravessa concepções de afeto e de Estado, tendo em vista a liberdade humana nas relações sociais. Em seu livro Ética, o filósofo holandês elabora conceitos de Deus, da natureza, da origem da alma e das afecções, bem como de suas forças, donde a servidão humana, e por fim, da potência da inteligência ou da liberdade, fundamentada nos desígnios da Razão. Propondo uma compreensão de nossos afetos a partir não apenas dos seus efeitos, mas também de suas causas e essências, Espinosa propõe gêneros sucessivos de conhecimento da alma, a partir dos quais alcançaríamos o governo de nossas emoções, a liberdade humana, fundamentais para a constituição de um Estado livre. Os conceitos esboçados na Ética são empregados por Espinosa em seu Tratado Político, texto interrompido em virtude do fenecimento do filósofo. Trata-se de um esboço sobre os princípios fundamentais de alguns gêneros de Estado, transitando por conceitos pertinentes ao campo da política, ...

CARTA PARA ARTAUD

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  Querido Artaud, (…) é madrugada e as sirenes me despertam nessa noite branca, não sei como explicar as noites brancas, senão pela ausência da lua, ela se dissolveu na imensidão do céu, não há remédio para a noite desfalecida, não há esperança para o dia que nasce, nem para a vida que passa dia após noite, há uma vazio que me toma a cada passo e escrevo para reinventar esse vazio, pois é o que me resta, escrever, em terras frias onde o corpo não dança, ele se encolhe feito caracol, estou resignada, nada me leva a nada, senão alguns sorrisos forjados, alguns elogios de quem nada sabe de mim senão por aquelas imagens produzidas pelo imaginário coletivo, histórias inventadas, as pessoas produzem a mídia e a mídia é feita de imagens, agora somos nós quem (re)produzimos essas imagens, o dia nasce e não há perspectiva outra senão essa solidão cruel e antiga, quantas vezes eu ignorei a sua face sempre presente, eu não tinha coragem de olhar nos seus olhos profundos e negr...

CARTA AO PAI

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Esta não é uma carta de amor nem de saudade, mas de lucidez e libertação. Começaria dizendo que me lembro de tudo: do seu egoísmo, das suas castrações e dos seus abusos. Lembro das histórias que escutava quando criança, dentre elas, a que você teria agredido a nossa mãe grávida de mim, na beira de um rio, sendo essa, talvez, minha primeira memória inconsciente da violência. Lembro dos seus beliscões que me deixavam marcas roxas pelos braços , durante a infância que me foi roubada com os abusos sexuais protagonizados por você. Lembro das igrejas que eu era obrigada a frequentar, apanhando em nome de Deus, ora por parte da nossa mãe, ao perceber que eu realmente não prestava atenção na missa, ora por sua parte, ao não ir àquela mesma missa que você não frequentava, provavelmente com vergonha dos próprios pecados. Lembro dos finais de semana em que você voltava bêbado para casa e violentava a nossa mãe. Lembro de quando você espancava o nosso irmão, e do ciúmes que vo...

A Estética do Silêncio

Susan Sontag inicia o seu ensaio A Estética do Silêncio, no livro A vontade Radical (1987), afirmando que toda época precisa reinventar o seu próprio projeto de espiritualidade, do qual a Arte teria sido a metáfora mais ativa, na modernidade. A autora identifica uma série de crises e processos de desmistificação da Arte, desde a unificação de numerosas e díspares atividades artísticas nessa denominação genérica, até a mudança do seu entendimento como expressão da consciência humana, para uma concepção pós-psicológica, em que ela torna-se um antídoto à capacidade de auto-alienação da mente, na afirmação de si própria. A partir desse novo mito, a arte deveria tender à antiarte, à eliminação do tema, objeto ou imagem, à substituição da intenção pelo acaso e à busca do silêncio, o que implicaria em um apelo tácito ou aberto à abolição da própria arte. Essa opção pelo silêncio, que teria sido feita por artistas como Rimbaud, Duchamp, Apollinaire, Harpo Marx, Stein, Burroughs,...

PUBLICAÇÕES JORNALÍSTICAS - SITE AVOADOR

Sysyphus: documentário conquistense será lançado em festival internacional em Salvador Mulheres estão à frente de 60% dos projetos de extensão Conheça escritoras de Conquista que publicaram durante a pandemia Coordenação de Cultura da UESB exibe documentário sobre educação de gênero A UESB e o fomento À cultura por meio de projetos de extensão O que pode a performance no sertão   Literatura feminina no programa de rádio Maria Bonita A saga literária do mulherio   Carta para Marielle Franco   Carta para uma esquizofeminista   Preliminares  

FLOR DE SANGUE

  Flor de sangue era uma sambada de coco em dia santo onde o amarelo do amor resplandecia moças rodavam as suas saias coloridas dançavam todos aos batuques da alegria às palavras proferidas pelos mestres que cantavam toda a sua sabedoria eis que desceram a ladeira da vingança sob a colérica cegueira que vestiam homens rompendo a multidão inebriada atirando todo o ódio que traziam o pandeiro se calou à triste imagem a Mãe deixou o pranto pra mais tarde e ao chover também chorou uma filha sua o corpo ora tombado na calçada rodeado por espanto e desalento fora embora carregado em procissão nasceram órfãos do Brasil naquele dia e muito embora sufocada a poesia era uma flor de sangue no seu peito que gemia mas não, Carlos, não era o leiteiro que partia… Morgana Poiesis, Olinda-PE, 2009.

HUMANITÁRIA OPUSCOLAR

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HUMANITÁRIA OPUSCULAR Dionísia ela nasceu já no nome, uma deusa depois, Nísia, a Floresta floresceu em natureza completando a sua festa pelo mundo que lhe presta sendo ainda Brasileira da pequena Papari que depois levou seu nome a escritora potiguar avançou em sua fome de mulher para estudar seja aqui ou seja longe no Rio Grande do Norte do Sul ou de Janeiro em Pernambuco ou pelo mundo inteiro na educação da mulher ela apostou como um direito no Colégio Augusto que fundou as moças não apenas costuravam mas artes, línguas e ciências ali tudo elas estudavam aplicando as suas inteligências que desde antes nunca lhes faltaram defensora dos índios e escravos se aliou aos movimentos sociais sempre a postos contra as injustiças para que fôssemos todos nós iguais escreveu quatorze livros e também deixou relatos e artigos em jornais fundamentada pela então filosofia positivista que lhe fora uma influência não deixou de lado a ...